Pintura do Presbitério

“Caros irmãos, dentro em breve estaremos realizando em nossa Igreja os trabalhos de pintura iconográfica do Presbitério.
Pintura esta que tem por objetivo, segundo o artista sacro Antônio Batista de Souza Júnior, idealizador e executor da obra, “PROPORCIONAR A COMPREENSÃO DO MUNDO ESPIRITUAL PARA A NOSSA CAPACIDADE DE EN...TENDIMENTO TERRENO”.

No texto a seguir, encontraremos o comentário a respeito dos SÍMBOLOS encontrados na obra.
É importante que leiamos e entendamos o significado de cada coisa, de cada imagem, das cores, para que contemplemos de forma integral o que se apresenta diante de nossos olhos. Que não seja apenas uma mera pintura ou apenas uma bela obra de arte, mas que nos leve à compreensão do SAGRADO em nossas vidas e na vida e caminhada de nossa comunidade.”

DESCRIÇÃO
Pintura iconográfica Cristocêntrica Plano de fundo rustificado em degradês de cores. Cores em aplicação rustificada e clareamento de tonalidade. A proposta central está voltada a dar vista ao Cristo Pantocrator.

TÉCNICAS
Acrílico sobre textura (parede virgem)

COMENTÁRIO SIMBÓLICO
Comentar sobre o princípio simbólico comprimido em um ícone, pode ser, às vezes, audacioso, isto, levando em consideração a sacralidade que um ícone conchega. Uma pintura iconográfica não é uma pintura que tem como finalidade apenas o retratar de uma época ou de um momento. A pintura iconográfica tem em si a incumbência mística, como as parábolas de Jesus, de proporcionar a compreensão do mundo espiritual para a nossa capacidade de entendimento terreno, sendo assim, um instrumento de Deus que, junto a arte e de maneira nobre, norteie os fiéis que a visualizam à contemplação do ser absoluto.
O projeto iconográfico do Presbitério da Paróquia São Paulo Apóstolo é Cristocêntrico. Jesus ocupa o eixo central de toda a pintura. Toda estrutura de fundo ao Cristo remonta a tons de terra Siena natural e tem a incumbência de indicar aos que contemplam a sua pequenez diante de Deus e lembrar-nos das palavras do Livro do Gênesis: "Lembra-te que és pó e que ao pó hás de voltar” (Gn 3,19).
O Cristo é apresentado sentado em um trono, sobre uma almofada de corpo inteiro, dentro de uma grandiosa estrutura, de formato oval, em degradê em tons de vermelhos e alaranjados. Esta estrutura simula as portas da Cidade Santa Jerusalém. Este lugar, onde encontra-se o Cristo é o lugar do repouso, na cidade Santa, a Jerusalém Celeste. "Na liturgia da terra nós participamos, saboreando-a já da liturgia celeste, que se celebra na cidade santa de Jerusalém, para a qual nos dirigimos como peregrinos, onde o Cristo está sentado à direita de Deus, qual ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, com toda a milícia do exército celeste entoemos um hino de glória ao Senhor e, venerando a memória dos santos, esperamos fazer parte da sociedade deles; esperamos pelo salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, até que ele, nossa Vida, se manifeste, e nós apareceremos com ele na glória”.
Esta posição anuncia e toma como princípio a revelação pictórica sacral do Cristo "Pantocrator", (termo grego dado a Jesus, traduzido geralmente por: "Onipotente"), termo igualmente traduzido por "Oniregente" ou "Aquele que tudo rege". Por conseguinte, trata-se d'Aquele que preside tudo, especialmente a Sagrada Liturgia. O ícone do Cristo Pantocrator mora todo Mistério Pascal. Suas mãos e pés “chagados” mostra-nos que por nós Ele fora sacrificado. Seus olhos abertos" expressa a ressurreição, o Cristo olha para as pessoas que Ele salvou.
Observem a solenidade do Cristo, seu rosto, seu olhar. Significa precisamente a presença viva do grande protagonista da liturgia e da Igreja. Somos presididos por alguém que está vivo.
O Cristo, veste túnica Dourada e manto Branco.
Na iconografia, as cores têm um papel fundamental. Sua função não é apenas estética, mas de levar um simbolismo atrelado à imagem que se está representando. Assim sendo, o iconógrafo tem uma liberdade muito limitada para escolher as cores, e sendo sempre fiel as propostas simbólicas estabelecidas pela tradição litúrgica.
A cor Dourada da túnica; tem o perfil da luz dourada do sol, a luz de Deus. Qualquer figura exposta em tais cores representa a plena luz divina. Esta cor simboliza a união da alma a Deus, a luz revelada aos profanos. O dourado é a luz refletida, é a própria luz, pura e genuína.
A cor branca; simboliza a harmonia e a paz. O Branco é a cor do divino, e planeia sua luz, dissipadora do preto, símbolo da decepção e tristeza. A Cor branca também concebe o revestimento dos eleitos, justos e dos santos prescritos no livro do Apocalipse (Ap 19, 7-8). A cor branca do Cristo; ilumina e transforma. Representa o amor divino, estimula a humildade e a sensação de limpeza e claridade.
Sobre a túnica do Cristo, desdobra-se uma “Estola” (faixa sagrada sacerdotal), indicando o Sacerdócio supremo de Jesus.Também fazendo observação a instituição hierárquica eclesiástica com a missão de apascentar o povo de Deus. Tal instituição foi dada pelo Cristo Bom Pastor aos bispos e presbíteros pelo sacramento da Ordem.
A Estola tem a cor vermelha, e assinala; o Martírio de Cristo e o fio de esperança que permeou toda marcha do povo de Deus, tendo o seu auge no Calvário de Cristo que derrama seu sangue em favor de nossa redenção. Nas extremidades da estola estão as letras: IC e XC, que corresponde ao anagrama grego do nome de Cristo.
Envolta cabeça do Cristo, sobressai um círculo formando uma 'aureola", esta, dividida por três raios formando as hastes da Santa Cruz.
Em sinal de benção está à mão do Cristo. A junção dos dedos "Indicador e Médio" traz consigo o sinal dogmático das duas naturezas de Cristo; a humana e Divina, Jesus 100% Deus e 100% homem. "um só e mesmo Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito em sua divindade e perfeito e sua humanidade; verdadeiro Deus e verdadeiro homem, composto de alma racional e de corpo, consubstancial ao Pai segundo a divindade, consubstancial a nós segundo a humanidade, 'semelhante a nós em tudo, com exceção do pecado ' (Hb 4, 15); gerado pelo Pai antes de todos os séculos segundo a divindade e, nestes últimos dias, para nós e para nossa salvação, nascido da Virgem Maria mãe de Deus, segundo a humanidade' (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, p. 45, 2005, Loyola).
Os pés do Cristo estão sobre um tapete. Evento que simboliza o PISAR em terra firme, razão da encarnação e estada do Verbo de Divino no meio de nós.
Em sua mão esquerda, é trazido o Livro dos Evangelhos. Sobre a capa do Livro destaca-se uma cruzeta e as letras: "Alfa" e Ômega", que correspondem a primeira e a última letra do alfabeto grego. Numa tradução adaptada, a Letra "A" e "Z" em alfabeto de língua portuguesa. Estas letras são tradicionalmente usadas na Igreja e traduz a expressão bíblica de Apocalipse 22,13 "Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim!
Abaixo da estrutura oval, planam sete lamparinas. Elas bancam a exortação de Jesus Cristo para conosco: "Vocês são a luz do Mundo. Ninguém acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de uma vasilha, e sim para colocá-la no candeeiro, onde ela brilha pra todos (Mt 5, 14-16) O número sete (conjunto de lamparinas) acarretam a simbologia judaico-cristã do equilíbrio e dos dons do Espírito Santo. Estes dons chamamos de: Ciência, Fortaleza, Conselho, Piedade, Sabedoria, Entendimento e Temor de Deus (Isaías 11, 2-3).
Ao Lado esquerdo do Cristo fora pintado o Cordeiro Pascal. O Cordeiro é o símbolo Apocalíptico que representa o Cristo imolado, referindo-se a ação sacrifical e expiatória que nos garantiu a redenção dos pecados, que na Cruz se revela como verdadeiro Messias e, que no alto do Calvário, ofereceu o sacrifício perfeito, sacrifício de valor universal, para resgate de todos os homens. Este Cordeiro é descrito por João no Livro do Apocalipse Cap. 5, 6: "De fato, vi um Cordeiro. Estava de pé, como que imolado". Esta importante figura é exposta, e tem em seu peito uma pequena perfuração e um jorro de sangue e água. Este sinal, em cor vermelha e branca; idealiza a cena da Paixão de Cristo, momento em que, após perfuração do seu lado direito, milagrosamente jorra sangue e água; o "Sangue" revelando a natureza humana e a "Água" a natureza divina de Cristo (João 19,34).
Abaixo da estrutura onde encontra-se o Cordeiro, cresce uma “árvore”, aqui, concebendo a figuração da Árvore da Vida. Esta Árvore é um dos símbolos bíblico mais representado e mais lavrado da literatura iconográfica cristã. Sua primeira relação é com a própria cruz de Cristo que nos devolve o Paraíso, sendo ela, a cruz, a verdadeira Árvore da Vida.
No Gênesis, esta Árvore é plantada no centro do jardim rodeada por afluentes.
Javé Deus fez brotar do solo todas as espécies de árvores formosas de ver e boas de comer. Além disso, colocou a árvore da vida no meio do jardim, e também a árvore do conhecimento do bem e do mal. Um rio saía do Éden para regar o jardim, e se dividia em quatro braços” (Gn 2,9-10)
"Ela é árvore de vida para os que a adquirem e são felizes aqueles que a conservam (Prov. 3, 18).
A figura da árvore, carrega e exprime um profundo sentido espiritual que unifica o mundo subterrâneo, através de suas raízes, ao mundo terreno com seu tronco, e suas folhagens ao mundo espiritual por meio da copa.
No Novo Testamento a árvore é figuração simbólica, em especial nos evangelhos. É a representatividade da Igreja Corpo Místico de Cristo.
"Eu sou a verdadeira videira, e meu Pai é o Agricultor" (Jo 15, 1-17). Figuração compreendida e comportada nas afirmações de São Paulo: "De fato, o corpo é um só, mas tem muitos membros; e, no entanto, apesar de serem muitos, todos os membros do corpo formam um só corpo. Assim acontece também com Cristo (1Coríntios 12, 12).
A Árvore da vida, indo mais além; traz todo este caráter e particularidade a cada homem, a cada fiel na participação desta Igreja que Ele; Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, é a cabeça.
Aos pés da Árvore da Vida está um recipiente; nele, resinas e ervas aromáticas sobre carvões acesos purificam o ar do espaço sagrado onde reside o Cristo. O incensar promovido por este, destina-se unicamente a Deus e nesta iconografia simboliza a nossa adoração e oração, fazendo jus as palavras proferidas pela Salmista. "Suba a minha oração como incenso à tua presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina!" Salmo 141-2.
Ao lado direito do Cristo está São Paulo, cujo nome era Saulo, era fariseu e perseguidor dos cristãos. Converteu-se a fé cristã no Caminho de Damasco, quando o próprio Jesus Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Fora batizado e tornou-se missionário doutrinador e fundou muitas comunidades. Este Santo é o padroeiro desta Paróquia.
São Paulo é mostrado em trajes simples com tons de cores acinzentadas, acenando a densidade da matéria; falta dinamismo e irradiação de outras cores. Fazendo referência a tudo que é terreno. Por ser assim, simbolizado a humildade, a renúncia às alegrias da vida terrena e a pequenez diante do Cristo, como seu próprio nome sugere: Paulo: "pequeno'.
Neste painel, Paulo acena para o Cristo, apresentando-o para o povo. Em sua mão esquerda segura um pergaminho, e em sua mão direita uma pena tipográfica, símbolo: das treze Epístolas que escreveu, tornando-o conhecido como apóstolo dos gentios.
Por fim, que esta iconografia semeie no coração dos que contemplam a obra todo Mistério contido na mesma. Que o Cristo Jesus, sempre presente em sua Igreja, especialmente nas ações litúrgicas, presente no sacrifício da Santa Missa, na pessoa do ministro, nas espécies Eucarísticas, nas palavras que ouvimos e salmodiamos e em tudo que visualizamos através desta ARTE, traga-nos a graça neste "Lugar de Encontro" e sintamos mais próximos de Jesus, fonte inesgotável de vida e iluminados por Ele que é luz do Mundo. Por ser expressão da verdade, firmo presente pintura.
Antônio Batista de Souza Júnior – Artista Sacro Ver mais