Eucaristia

EUCARISTIA

ADORAO

Eucaristia quer dizer ação de graças ou agradecimento.

Na época do Antigo Testamento, o costume do povo era oferecer frutos e animais como um muito obrigado a Deus.

Jesus ao morrer na cruz, oferece muito mais do que frutos ou animais, oferece sua própria vida para a salvação de todos os seres humanos.

 Jesus como conhece nossas falhas, escolheu uma forma de estar sempre por perto, então na Última Ceia instituiu a Eucaristia, numa noite singela e de uma forma simples, dizendo: "Tomai e comei. Isto é o meu Corpo. Depois, tomou o cálice e, dando graças, deu a eles, e todos dele beberam.... "Isto é meu sangue, o Sangue da Nova Aliança, que é derramado em favor de muitos" (Mc 14, 22-25). "... todas as vezes que vocês beberem façam isso em memória de mim" (Lc 22,19).

A comunhão tem uma característica que não podemos esquecer: Se estamos em união ao Corpo, Alma, Divindade e Sangue de Cristo também precisamos estar em comunhão com os irmãos. Portanto não há sentido comungar se não estou em harmonia com as pessoas as quais convivo. 

 

Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 9,11b-17.

 

Naquele tempo: Jesus acolheu as multidões, falava-lhes sobre o Reino de Deus e curava todos os que precisavam. A tarde vinha chegando. Os doze apóstolos aproximaram-se de Jesus e disseram: 'Despede a multidão, para que possa ir aos povoados e campos vizinhos procurar hospedagem e comida, pois estamos num lugar deserto.' Mas Jesus disse: 'Dai-lhes vós mesmos de comer.'
Eles responderam: 'Só temos cinco pães e dois peixes. A não ser que fôssemos comprar comida para toda essa gente.' Estavam ali mais ou menos cinco mil homens.
Mas Jesus disse aos discípulos: 
'Mandai o povo sentar-se em grupos de cinquenta.' Os discípulos assim fizeram, e todos se sentaram.

Então Jesus tomou os cinco pães e os dois peixes, elevou os olhos para o céu, abençoou-os, partiu-os e os deu aos discípulos para distribuí-los à multidão.

Todos comeram e ficaram satisfeitos. E ainda foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.

Reflexão

A Instituição da Eucaristia, o “partir” do pão que se tornou o sinal mais evidente da comunidade cristã, além da força do “amor do Senhor ressuscitado” que vem da Eucaristia.

 “Fazei isto em memória de Mim” (1 Cor 11, 24.25). Esta ordem de Jesus é citada duas vezes pelo apóstolo Paulo, quando narra à comunidade de Corinto a instituição da Eucaristia.

É o testemunho mais antigo que temos das palavras de Cristo na Última Ceia.

“Fazei isto” ou seja, tomai o pão, dai graças e parti-o; tomai o cálice, dai graças e distribuí-o.

Jesus ordena que se repita o gesto com que instituiu o memorial da sua Páscoa, pelo qual nos deu o seu Corpo e o seu Sangue.

E este gesto chegou até nós: é o “fazer” a Eucaristia, que tem sempre Jesus como sujeito, mas atua-se por meio das nossas pobres mãos ungidas de Espírito Santo.

“Fazei isto”. Já antes Jesus pedira aos seus discípulos para “fazerem” algo que Ele, em obediência à vontade do Pai, tinha já decidido no seu íntimo realizar; acabamos de ouvir isso no Evangelho.

À vista das multidões cansadas e famintas, Jesus diz aos discípulos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13). Na realidade, é Jesus que abençoa e parte os pães até saciar toda aquela multidão, mas os cinco pães e os dois peixes são oferecidos pelos discípulos, e era isto o que Jesus queria: que eles, em vez de mandar embora a multidão, colocassem à disposição o pouco que tinham.

E, depois, há outro gesto: os pedaços de pão, partidos pelas mãos santas e veneráveis do Senhor, passam para as pobres mãos dos discípulos, que os distribuem às pessoas.

Também isto é “fazer” com Jesus, é “dar de comer” juntamente com Ele. Evidentemente, este milagre não pretende apenas saciar a fome de um dia, mas é sinal daquilo que Cristo pretende realizar pela salvação de toda a humanidade, dando a sua carne e o seu sangue (cf. Jo 6, 48-58).

E, no entanto, é preciso viver sempre estes dois pequenos gestos: oferecer os poucos pães e peixes que temos; receber o pão partido das mãos de Jesus e distribuí-lo a todos.

“Partir”: esta é a outra palavra que explica o significado da frase “fazei isto em memória de Mim”.

O próprio Jesus Se repartiu, e reparte, por nós. E pede que façamos dom de nós mesmos, que nos repartamos pelos outros. Foi precisamente este “partir o pão” que se tornou ícone, sinal de reconhecimento de Cristo e dos cristãos.

Lembremo-nos de Emaús: reconheceram-No “ao partir o pão” (Lc 24, 35). Recordemos a primeira comunidade de Jerusalém: “Eram assíduos (…) à fração do pão” (At 2, 42).

É a Eucaristia que se torna, desde o início, o centro e a forma da vida da Igreja. Mas pensemos também em todos os santos e santas – famosos ou anônimos – que se “repartiram” a si mesmos, a própria vida, para “dar de comer” aos irmãos.

Quantas mães, quantos pais, juntamente com o pão quotidiano cortado sobre a mesa de casa, repartiram o seu coração para fazer crescer os filhos, e fazê-los crescer bem!

Quantos cristãos, como cidadãos responsáveis, repartiram a própria vida para defender a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres, marginalizados e discriminados!

Onde eles encontram a força para fazer tudo isto? Precisamente na Eucaristia: na força do amor do Senhor ressuscitado, que também hoje parte o pão para nós e repete: “Fazei isto em memória de Mim”.  Que nossa presença aqui hoje, diante do Cristo Vivo, seja para nós também resposta a esta ordem de Jesus. Um gesto para fazer memória d’Ele; um gesto para dar de comer à multidão de hoje; um gesto para repartir a nossa fé e a nossa vida como sinal do amor de Cristo por nossa comunidade, por todos os nossos irmãos e irmãs que se encontram marginalizados. (Homilia do Papa Francisco - Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo – 26.05.2016