Penitência ou Confissão

CONFISSOPENITÊNCIA OU CONFISSÃO

Como o pecado é uma ofensa a Deus que destrói a amizade com Ele, a penitência "busca, em última análise, que amemos intensamente a Deus e nos entreguemos totalmente a Ele". Por isso o pecador que pela graça de Deus misericordioso trilha o caminho da penitência, regressa ao Pai que "nos amou primeiro" (1 Jo 4,19), ao Cristo que se entregou por nós (Gl 2,20; Ef 5,25) e ao Espírito Santo que nos foi dado em profusão (cf. Tt 3,6).

Mas "por insondável e gratuito mistério da divina disposição acham-se os homens de tal modo sobrenaturalmente unidos entre si que o pecado de um prejudica aos outros, como também a santidade de um traz beneficio aos outros". Deste modo, a penitência exige sempre a reconciliação com os irmãos, aos quais o pecado prejudica.

Ainda mais, assim como os homens frequentemente colaboram entre si na prática do mal, também se ajudam mutuamente na penitência, a fim de que, livres do pecado pela graça de Cristo e unidos a todos os homens de boa vontade, realizem no mundo a justiça e a paz.

Sacramento da Penitência, Reconciliação ou Confissão

São esses os nomes dados a um mesmo sacramento, dependendo do enfoque que se queira dar a ele: Penitência, se o acento é dado às obras que manifestam o arrependimento e a conversão; Reconciliação, por sua vez, enfatiza o efeito do sacramento: ele nos une outra vez a Deus e à Igreja, na pessoa dos irmãos; Confissão, salienta a declaração das faltar cometidas, condição essencial e indispensável durante a celebração deste sacramento. Todos esses nomes não são que um aspecto de um só e mesmo sacramento, que realiza a reconciliação, mediante a confissão e a penitência.

O discípulo de Cristo que, após o Batismo, peca, ao se aproximar, movido pelo Espírito Santo, desse sacramento deve, antes de tudo, voltar-se para Deus de todo o coração. Esta conversão interior, que compreende a contrição do pecado e o propósito de uma vida nova, se expressa pela confissão feita à Igreja, pela necessária satisfação e pela mudança de vida. E Deus concede a remissão dos pecados por meio da Igreja, que atua pelo ministério dos sacerdotes, segundo a vontade expressa por Cristo mesmo (cf. Mt 16,18-19. 18,18; Jo 20,22-23). Trata-se de uma verdadeira celebração com um sacerdote, perante o qual abre a sua consciência com confiança, em lugar reservado e digno.

 

Passos a ser seguidos:

A - Contrição

Entre os atos do penitente ocupa o primeiro lugar a contrição, ou seja, "a dor da alma e o ato de detestar o pecado cometido, com o propósito de não mais pecar". Com efeito, "ao Reino anunciado por Cristo só se pode chegar através da íntima mudança do homem todo pela qual ele começa a pensar, julgar e dispor a sua vida levado por aquela santidade e caridade de Deus, que foram manifestadas nos últimos tempos. (Hb 1,2; Cl 1,19; Ef 1,23)".

Desta contrição interior depende a autenticidade da penitência. A conversão deve atingir intimamente o homem para iluminá-lo cada dia com maior intensidade e transformá-lo cada vez mais à semelhança de Cristo.

 

B – Confissão (acusação dos pecados)

Do sacramento da penitência faz parte a confissão das culpas que procede do verdadeiro conhecimento de si mesmo diante de Deus, e da contrição dos pecados. Mas este exame da consciência e a acusação externa devem ser feitos à luz da misericórdia de Deus. No entanto a confissão exige do penitente a vontade de abrir seu coração ao ministro de Deus; e da parte deste, um julgamento espiritual pelo qual, agindo em nome de Cristo e da Igreja, pronuncia, em virtude do poder das chaves (Mt 16, 18-19), a sentença da remissão ou da retenção dos pecados (Jo 20,22-23).

 

C - Satisfação

A verdadeira conversão se completa pela satisfação das culpas, pela mudança de vida e pela reparação do dano causado. As obras e a medida da satisfação devem adaptar-se a cada penitente para que cada um restaure a ordem que lesou e possa curar-se com o remédio adequado. É necessário, por conseguinte, que a satisfação imposta seja realmente remédio para o pecado e, de algum modo, renovação de vida. Assim, o penitente, esquecendo o que passou (Fl 3,13), integra-se de novo no mistério da salvação, lançando-se para frente.

 

D - Absolvição

Ao pecador que manifestou sua conversão ao ministro da Igreja pela confissão sacramental Deus concede o perdão mediante o sinal da absolvição, e assim se realiza o sacramento da penitência. Pois, segundo o plano salvífico divino, pelo qual apareceram aos homens visivelmente a humanidade e a bondade de Deus nosso Salvador (cf. Tt 3,4-5), Deus quer conceder-nos a salvação e renovar a aliança rompida por meio de sinais visíveis.

 

Acolhimento

Assim, pois, pelo sacramento da reconciliação, o Pai acolhe o Seu filho que regressa arrependido; Cristo coloca sobre os ombros a ovelha perdida, reconduzindo-a ao redil; e o Espírito Santo santifica de novo Seu templo ou passa a habitá-lo mais plenamente. Isto se manifesta, finalmente, na participação freqüente ou mais fervorosa na mesa do Senhor, havendo grande júbilo na Igreja de Deus pela volta do filho distante (cf. Lc 15,7.10.32). Deus ama perdoar, e sem tal perdão não podemos viver. Mas existem condições precisas para isso, como já vimos: o arrependimento sincero. Sem ele, não há perdão (Ez 18,21-23).

 

Diante do pecado devemos:

  • Confiar e saber esperar;
  • Colocar tudo no coração de Deus;
  • Acreditar na misericórdia incondicional e infinita de Deus;
  • Voltar à casa por amor e não como troca, para receber benefícios;

 

Para não pecar devemos:

  • Procurar fazer a vontade de Deus, a todo custo;
  • Amar sempre.

 

Dimensões do pecado:

  • Pecar contra Deus;
  • Pecar contra os irmãos;
  • Pecar contra si mesmo;

 

Penitência é:

  • Um ato livre e consciente da acusação dos pecados para cancelar a culpa que nos fere (“segundo Batismo”);
  • Procurar a proteção à sombra de Deus;
  • Ter a chance de recomeçar – reencontro do Divino;
  • Receber o perdão de Deus, através do padre / bispo;

 

Dificuldades para confessar:

Como vou começar? O que vou dizer? Posso confiar? (sigilo sacramental); Serei compreendido? O padre não vai me achar estranho (a)? Insensibilidade (comodismo / frieza); Atual permissivismo (tudo pode! / ser liberal...); É difícil aceitar nossas fraquezas. Fomos preparados para tirar nota 10 nas provas!

 

Instituição:

“Recebei o Espírito Santo: os pecados que perdoardes, ser-lhes-ão perdoados... (Jo 20, 22).

 

Frutos da confissão:

Paz, alegria pelo presente do retorno à casa do Pai;

Caminhada para Deus;

Une os irmãos (dimensão social);

Crescimento humano e espiritual – libertação;

 

Exigências:

Mudança de vida concretamente (vida de amor);

Conversão e renovação (irradiar luz);

Esquecer o passado, perdoando-se e vivendo o agora, (com os pés no chão da história);

 

Quando confessar:

  • Frequentemente;
  • Quando sentir-se enfraquecido na caminhada;
  • Quando pecar;
  • Uma vez por ano.

 

Como saber se pequei:

  • Matéria grave (foi algo sério e grave que eu fiz?);
  • Pleno conhecimento daquilo que fiz;
  • Consentimento (eu quis fazer. Eu sou o culpado. Eu tomei a decisão).

Como Deus nos vê:

  • Como filhos e não escravos;
  • Dá-nos a liberdade – até para pecar;
  • Pede-nos que aceitemos o perdão com humildade;
  • Ama-nos, mesmo negando “três vezes” (sempre);
  • Deus é presente / o passado já não importa mais;
  • Misericórdia é para os pecadores e não para santos;