Catequese

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CATEQUESE PAROQUIAL

   INICIAÇÃO À VIDA CRISTÃ -    Um Processo de Inspiração Catecumenal

Introdução

Nossa catequese está vivendo um processo catequético cada vez mais em sintonia com as atuais necessidades de nossa Igreja para que ela possa realizar sua vocação de ser Sinal do Reino para o mundo de hoje.

Um olhar sobre a Realidade Religiosa de Hoje

Porque estas mudanças, os documentos da Igreja nos apresentam que até pouco tempo atrás a família e a sociedade em geral era marcada pelo cristianismo, o que garantia às pessoas certa iniciação à vida cristã. Todo mundo era batizado e religião era atitude que se aprendia vivendo em família e na própria sociedade. Este quadro com o passar dos tempos foi se modificando: Devocionismos variados em relação à fé do povo.  Houve e há mais sacramentalização, isto é uma catequese fragmentada do que uma consistente iniciação, formadora de discípulos missionários misericordiosos seguidores de Jesus.

Estamos vivendo uma “mudança de época”, atual mudança de época altera o modo como à vida é encarada. As atuais mudanças do mundo proporcionam um amplo pluralismo, também, religioso. Na Igreja nos encontramos diante da seguinte realidade:

  • Um crescente número de jovens e adultos que não são batizados.
  • Grande número de batizados, que não chegam a completar a própria iniciação à vida cristã, gerando uma multidão de batizados não evangelizados.
  • Alta porcentagem de católicos sem a consciência de sua missão de ser sal e fermento no mundo, com identidade cristã fraca e vulnerável;
  • Os que aparecem de vez em quando;
  • Os que foram gradativamente se afastando;
  • Os que se sentiram mal acolhidos em alguma situação;
  • Os que se sentem excluídos;
  • Grande número de batizados fiéis na Igreja Católica, para os quais viver a fé nesse mundo em mudança torna-se um constante desafio.

Diante deste quadro vêm as questões:

  • Como levar as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo?
  • Como fazê-las mergulhar nas riquezas do Evangelho?
  • Como iniciá-las verdadeira e eficazmente na vida da comunidade cristã e fazê-las participar da vida divina, cuja expressão maior são os sacramentos da iniciação (Batismo, Confirmação e Eucaristia)?
  • Como realizar uma Iniciação de tal modo que os fiéis perseverem na comunidade cristã?
  • Como formar verdadeiros discípulos-missionários de Jesus?

Ter como modelo o Jeito de Agir de Jesus

                Para sentir-se parte de uma tradição, um povo, uma comunidade religiosa (ou até uma família) a pessoa precisa estar imersa no sentido de vida que caracteriza essa pertença.  Quem não encontrou Jesus de fato não foi iniciado na fé, mesmo que tenha estado junto de nós por muitos anos. Aparecida (12) diz, citando Bento XVI: “... não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva”. Entrar num novo projeto de vida, religioso ou não, requer um processo de passos sucessivos e aproximação. Jesus formou discípulos, devagar:

  • Houve um primeiro chamado, um aprendizado e um convívio;
  • Houve etapas na missão;
  • Viveram a experiência do mistério pascal;

Significado da Iniciação à Vida Cristã

Segundo uma definição atual, Iniciação é conjunto de ritos e ensinamentos orais, visando realizar uma transformação do estatuto religioso e social do iniciado; ao final do período, o neófito (principiante, novato) goza de uma existência totalmente diferente da que possuía antes: transforma-se noutra pessoa. Daí a necessidade de formas de catequese que estejam verdadeiramente a serviço da Iniciação à Vida Cristã. Desde o século II, a Iniciação à Vida Cristã se realizava através do catecumenato: feliz criação da Igreja, num tempo em que, ela não podia contar com o apoio de uma cultura cristã na sociedade e ainda havia muito clima de segredo na prática cristã. Aquele que devia ser iniciado na fé era chamado de catecúmeno.  A Igreja tem consciência que a Iniciação à Vida Cristã é uma exigência dos dias de hoje. Somente assim poderá formar cristãos firmes e conscientes nestes novos tempos em que a opção religiosa é uma escolha e não simplesmente tradição e imersão culturalAparecida (287) diz: “ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seguí-lo, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora”.

Objetivo da Iniciação à Vida Cristã

A Igreja proclama “que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontra em seu Senhor e Mestre” (GS 10,2). Com Jesus se faz presente o Reino de Deus, o Mistério revelado entre nós. Por: Sua Vida, Sua Palavra e ações e Sua Doação Total na Cruz e Gloriosa Ressurreição. Jesus revela ao mundo o amor e o Projeto de Salvação do Pai que nos ama a todos, em sua infinita misericórdia. Jesus, ao falar do Reino, chama-o de mistério:

  • Ser cristã é participar desse mistério e se comprometer com ele;
  • Requer uma mudança de vida, é fruto de experiência, não apenas de conhecimento.

Para ter acesso aos divinos mistérios à pessoa precisa, de uma maneira ou de outra, ser iniciada a essas realidades maravilhosas através de experiências que a marquem profundamente. Para participar do mistério de Cristo Jesus é preciso passar por uma experiência impactante de transformação pessoal e deixar-se envolver pela ação do Espírito. É dever da Igreja proclamar e fazer experimentar o mistério, não escondê-lo: o querigma (primeiro anúncio, pregação missionária) é para todos.  A Iniciação à Vida Cristã é obra do amor de Deus. Ela se desenvolve dentro do dinamismo trinitário: os três sacramentos expressam a unidade da obra trinitária na iniciação cristã:

  • O Batismo nos trona filhos do Pai,
  • E a Confirmação nos unge com unção do Espírito.
  • A Eucaristia nos alimenta com o Corpo de Cristo

O RICA e seu Modelo de Catecumenato

O modelo de catecumenato apresentado pelo RICA possibilita a elaboração de itinerários diversos, de acordo com as necessidades de cada realidade.

Uma primeira característica essencial é o seu caráter Cristocêntrico e gradual: é organizado em quatro tempos e em três grandes celebrações ou etapas, das quais participam membros da comunidade, parentes e amigos, uma Catequese Litúrgica.  O catecumenato está vinculado a ritos, símbolos e sinais, alguns desses ritos incluem entregas que representam os compromissos que vão sendo assumidos; devem ser celebradas quando os catecúmenos derem sinais de maturidade. Já os escrutínios da quaresma, na sua qualidade de ritos penitenciais, visam uma progressão “na consciência do pecado e no desejo de salvação”. Unção, exorcismos, bênçãos são previstas para as muitas celebrações a serem realizadas durante o processo.

Modelo Catecumenal:

  • 1º Tempo = Pré-catecumenato:

ü  Acompanhadas por um Introdutor que as conduziu para a Igreja após fora da Igreja, já ter acontecido o primeiro anúncio, – Querigma – do mistério de Cristo, no diálogo com a pessoa, sua cultura e experiência religiosa; esse é o tempo do despertar ou reavivar a fé em Jesus Cristo e a conversão pessoal, tempo de perceber melhor a função da Igreja. Este momento se dá ainda fora da Igreja, na rua, nas missões.

ü  Aos poucos vão entrando em contato com o Pároco e com a Comunidade, através de seus introdutores;

ü  Ao final desta etapa essas pessoas são recebidas por um Catequista;

û  1ª Etapa = Rito de Admissão:

ü  Primeira grande Celebração que constitui o rito de entrada no catecumenato: são assinalados com a Cruz do Senhor... Para os não batizados.

  • 2º Tempo = Catecumenato propriamente dito: é a fase mais longa de todo processo de iniciação:

ü  Criam familiaridade com a Palavra de Deus;

ü  Recebem formação catequética, pois a catequese fornece meios para conhecer Jesus (Cristocentrico) e viver a experiência pessoal de encontro com ele, e a liturgia ajuda a guardar e assumir profundamente o que foi descoberto na caminhada.

ü  São iniciados nos ritos litúrgicos mediante as entrega dos símbolos;

û  2ª Etapa = Rito da Eleição: dá-se início ao tempo da purificação e iluminação, onde os catecúmenos declaram diante do Padre, da comunidade, e seus familiares o desejo e a decisão de se tornarem cristãos.

            3º Tempo =  Nos quarenta dias da quaresma acontece o tempo de Purificação e Iluminação: os catecúmenos são ajudados na revisão de vida e no retorno ao primeiro encontro com o Senhor; tempo em que se realça mais o cultivo da vida interior; procura-se purificar os corações e aprofundar a conversão pessoal pelo exame de cons

ciência e pela penitência. Os catecúmenos passam pelo Rito dos Escrutínios, onde toda comunidade reza por eles.

 

û  3ª Etapa = Celebração dos Sacramentos. Na noite de Páscoa, no Sábado Santo os iniciados recebem o sacramento do Batismo, e em tempo os sacramentos da Confirmação e da Eucaristia.

        

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 Terminado o processo catecumenal de iniciação à vida cristã, o neófito prossegue seu caminho de amadurecimento na fé através da formação continuada. E sua vivência dentro da comunidade, e dentro das pastorais.

Os Candidatos à Iniciação à Vida Cristã

Não se faz um processo de Iniciação sem priorizar a pessoa do candidato. Portanto nossa catequese acolhe a todos, crianças, adolescente, jovens, adultos e idosos. Inspirados pela ação de Jesus, os iniciantes são considerados como interlocutores e não como meros destinatários no processo de Iniciação à Vida Cristã. A pessoa que ainda não foi batizada e que se sente chamada, por iniciativa gratuita de Deus, à fé cristã, tem direito:

  • A ser acolhida pela Igreja e orientada para que chegue a dar o seu sim pessoal e, em seguida, começar a trilhar o caminho do processo de Iniciação.
  • Nós mesmos temos que buscá-la no trabalho missionário. O iniciante no caminho da Iniciação precisa sentir-se bem na comunidade e descobrir nela o exemplo concreto do tipo de vida com o qual ele quer se comprometer.

Importância da Comunidade na Iniciação à Vida Cristã

Palavra, Comunidade, Celebração foram importantes para que os primeiros discípulos reconhecessem Jesus como centro de sua vida. São fundamentais para os cristãos de hoje também. Aquele que é iniciado na “vida cristã” vai ter que perceber em profundidade o que significa, nos vários campos de nossa ação: ser discípulo de Jesus é ser Igreja hoje. Uma comunidade comprometida com um processo de iniciação é aquela Igreja aonde quem chega: se sente em casa, acolhido num ambiente de fraterna cooperação, estimulado a servir com alegria e com a esperança de poder fazer diferença em meio aos sofrimentos e injustiças deste nosso mundo. 

 “Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp 29).

Fonte: Adpt. CNBB Estudo 97 - Iniciação à Vida Cristã - Doc. RICA e Pe. Luís Gonzaga Doutrinário.